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O livro "Ordem da Fênix" e a necessidade de rebelar-se.


O cenário político anda tão confuso que nem mesmo os cientistas políticos estão se arriscando em discutir ou propor soluções, mas nem por isso ficaremos sem respostas.

Como bem sabemos, a internet sempre encontra formas perfeitas de interpretar o que está acontecendo no Brasil, e há alguns meses tudo isso é muito bem explicado pela narrativa da saga Harry Potter. Com a recente movimentação para a Greve Geral dos Trabalhadores, realizada com sucesso no último dia 28, entrou na perspectiva de alguns debates online, o livro "Harry Potter e a Ordem da Fênix".

Se você caiu aqui de paraquedas, o resumo não pode ser mais breve que isso mas, Harry, Rony e Hermione frequentam seu quinto ano de Hogwarts, quando a escola é alvo de extrema repressão. O Ministério da Magia não acredita no retorno de Lord Voldemort, que ocorreu poucos meses antes, e além disso, o mesmo ministério afirmava enfaticamente que Cedrico Diggory havia sido morto por um acidente e não assassinado pelo Lorde das Trevas. Tal versão dos fatos é largamente corroborada pelo jornal O Profeta Diário, ao ponto de chegarmos ao primeiro ponto de discussão: seria este mesmo jornal uma alusão a mídia hegemônica golpista?

O Ministério da Magia envia então Dolores Umbridge para ministrar a disciplina de Defesa Contra as Artes das Trevas em Hogwarts. Na prática, Dolores era os olhos e as mãos de Cornélio Fudge - até então Ministro da Magia - na instituição, e sua presença é caracterizada pela crueldade e pelas punições abusivas em relação aos alunos, onde ela claramente demostra sinais de sadismo. Basicamente, ela é enviada à escola para impedir uma suposta conspiração onde Dumbledore estaria levantando um exército para derrubar o ministério. Pouco tempo depois, Dolores se tornou a Alta Inquisidora de Hogwarts, cargo que lhe dava poderes extraordinário sobre os estudantes. Enquanto exerceu tal cargo, Dolores proibiu reunião de estudantes e condenou as "más ações" dos mesmos.

Ainda atuando como professora de Defesa Contra as Artes das Trevas em Hogwarts e enquanto a mesma esteve neste cargo, as aulas práticas da disciplina foram canceladas. Ao invés disso, os estudantes eram forçados à exaustivas horas de leitura, durante a aula de Dolores, indo da prática para uma tediosa teoria. Percebendo que a guerra era mais que iminente e que precisavam estar preparados para isso, alguns estudantes de Hogwarts resolvem criar a Armada de Dumbledore, onde eles teriam aulas práticas de magia com Harry Potter. O grupo passa a funcionar na clandestinidade, até que Marieta Edgecombe, amiga de Cho Chang, contou para Dolores sobre a existência do grupo. Entretanto, a atitude de Marieta não passou impune: Hermione havia enfeitiçado o pergaminho onde os estudantes interessados em ter aulas com Harry escreveram seus nomes. Com isso, quando Marieta contou tudo para Dolores, furúnculos horríveis e cheios de pus se formaram em seu rosto formando a expressão "dedo-duro". O feitiço de Hermione foi tão potente que até Dolores Umbridge teve dificuldade de desfazer o mesmo. 



Tal feitiço foi desfeito em parte, uma vez que Marieta permaneceu com as cicatrizes. Caso julgue necessário saber, Marieta Edgecombe tinha sido coagida a dizer a verdade, recebendo ameaças de retaliação da própria Dolores, já que sua mãe trabalhava no Ministério da Magia, no Departamento de Transportes Mágicos, sendo responsável pela Rede de Flu.

Porém nem todos os grupos eram mal quistos pela Dolores, a Brigada Inquisitorial,  foi uma tática criada para acabar com qualquer atividade suspeita, segundo ordens do Ministério da Magia. O grupo atuava em troca dos favores feitos, onde ganhavam pontos extras para suas casas. Um dos objetivos principais da brigada foi achar a Sala Precisa, onde os alunos da Armada de Dumbledore praticavam Defesa Contra as Artes das Trevas. Os membros da Brigada geralmente abriam e inspecionavam pacotes e correspondências, espionavam alunos para Umbridge e realizavam vários outros trabalhos sujos.

A Brigada Inquisitorial chegou a capturar os membros da Armada de Dumbledore e os manteve presos durante algum tempo. Todos os membros (os principais eram Draco Malfoy, Vincent Crabbe e Gregory Goyle) tinham um distintivo prateado com a letra I preso as vestes. E eis aqui o segundo ponto de discussão: nem todos estão dispostos a encarar a realidade, por ignorância ou porque a realidade, por pior que seja, os convém.



Com a demissão de Dolores Umbridge e a readmissão de Alvo Dumbledore à diretoria de Hogwarts, a Brigada Inquisitorial acabou para sempre.

Vale destacar aqui um fato curioso e crucial, visando uma maior compreensão: Era também no quinto ano de Harry e seus amigos em Hogwarts que os estudantes deveriam prestar os N.O.M.'s (Níveis Ordinários em Magia), onde, após o resultado dos mesmos, os estudantes deveriam escolher para cursar as matérias obrigatórias e as matérias que tinham afinidade. Os gêmeos Fred e George Weasley, então, cansados de tamanha repressão, fazem um ato final contra Umbridge e o Ministério. Sendo estes mais velhos que os demais estudantes e não havendo possibilidade de entendimento pacífico, eles vandalizam o salão da escola, provocando uma tarde de caos no meio da falsa ordem imposta pelo poder vigente. Fred e Jorge Weasley são os irmãos gêmeos de Rony Weasley. São brilhantes, mas não usavam a inteligência para o meio acadêmico, mas sim para fazer travessuras, e eram um dos poucos que o Pirraça, o maroto poltergeist da escola respeitava.

Os meninos abandonaram a escola em seu último ano e abriram um negócio próprio, a loja Gemialidades Weasley, no Beco Diagonal. Esta é sem dúvida uma das passagens mais lindas dos sete livros da série, e é quando chegamos ao terceiro ponto de discussão: sempre devemos preferir a ordem, porém, quando ela não está ao lado da justiça, é necessário apelar para o caos.


No último livro, Fred Weasley morre durante a batalha de Hogwarts. Os gêmeos podem ser interpretados como pessoas que não se encaixavam em um modelo tradicional de educação, que avalia somente um determinado saber.

A Armada de Dumbledore é sem dúvida um dos maiores símbolos de resistência de nossa época, assim como a Ordem da Fênix, já que Voldemort foi derrotado graças a estudantes de uma escola ocupada. Mas sinceramente, se você ainda não entendeu isso, por favor volte sete casas, e releia os sete livros. Neville, Gina e Luna mantiveram a Armada de Dumbledore em funcionamento, quando Hogwarts estava sob o regime (também) opressor de Severo Snape. Continuaram com a "rebelião" e escreviam coisas nas paredes como "o recrutamento continua", ainda que sofressem punições severas, como sofreram, sendo submetidos até a maldição Cruciatus, e eis aqui o nosso quarto e último ponto de discussão: por pior que o cenário possa parecer, lute.


Como você já pode ter notado, a saga "Harry Potter" não é só rica pelo seu foco no mundo da magia. J.K. Rowling, criou um mundo onde há um mega contexto mágico, social e político, e onde as alusões com o mundo dos trouxas são mais frequentes do que se pode imaginar. E por mais que alguns fãs não reconheçam essas alusões, e tratem a obra como um simples ensinamento de coragem, amor, amizade e lealdade, esquecendo dos fortes valores éticos, políticos e morais, além claro, das duras críticas comportamentais; você já parou para pensar quantas vezes você viu alguém agir como verdadeiros Comensais da Morte, pregando a "pureza do fã potterhead", destilando ódio contra movimentos sociais, preconceito contra as diferentes classes sociais, exaltando a militarização da polícia, sobrepujando os direitos dos menos favorecidos e se achando membro da A.D (ou na pior das hipóteses, se denominando um dos Marotos)?

Pois é, tem muita Brigada Inquisitorial se achando Armada de Dumbledore, e é por isso que devemos estar atentos. Quando a injustiça se torna rotina, a revolução se torna um dever!

E para encerrar, deixo você com uma das passagens mais memoráveis (para mim) deste livro, da qual espero uma profunda reflexão acerca: foi quando o Professor Flitwick deixou uma das poças de lama, debaixo de uma das janelas, em homenagem aos Weasleys, quando estes se foram. Você pode achá-la tola e sem sal, ou até mesmo não tão memorável assim, mas ela é, em sua síntese a clara definição de que somente os bravos, os que lutam, e os que se rebelam contra a opressão, que merecem ser lembrados por seus atos. Os covardes, como aqueles que vimos no encerramento da saga, os que se recusaram a lutar, passarão despercebidos.


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