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Semelhanças com a realidade, querer viver numa ficção, é um perigo.


EDITORIAL DE OPINIÃO

Ficção escrita por Sinclair Lewis, Não vai acontecer aqui (Companhia das letras), um candidato do interior norte-americano, chamado Buzz Windrip, populista e preconceituoso, que vence a eleição para presidente dos Estados Unidos. Ele declara o Congresso obsoleto, reescreve a Constituição e desencadeia uma onda fascista no País. Para combatê-lo, o jornalista Doremus Jessup usa a imprensa clandestina e uma rede de apoiadores. Não vai acontecer aqui foi escrito em 1935 em resposta ao crescimento de grupos fascistas na América.

O Conto da Aia (Editora Rocco), de Margaret Atwood, se passa num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no Muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Para merecer esse destino, não é preciso fazer muita coisa – basta, por exemplo, cantar qualquer canção que contenha palavras proibidas pelo regime, como “liberdade”. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América.

As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado. A Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar, depois que uma catástrofe nuclear tornou estéril um grande número de pessoas. As mulheres transformadas em aias são entregues a algum homem casado do alto escalão do exército e obrigadas a fazer sexo com eles até engravidar.

A atitude de Doremus Jessup lembra a criação da Armada de Dumbledore, em Harry Potter e a Ordem da Fênix (Editora Rocco), escrito por J.K. Rowling, claro, ambos com diferentes ações. Um para expor a liberdade de impressa e indivíduos, e outro, o aprendizado na Defesa de Magia pelas Artes das Trevas; devido a intervenção do Ministério da Magia em Hogwarts, proibindo o uso de magia, e a suposta volta de Lord Voldemort.

O personagem Buzz Windrip tem uma certa semelhança com personalidades atuais da realidade politica, seja americana, europeia, latina americana e coreana. Independente dos lados políticos, que essas personalidades almejam ou agem dessa forma, isso é uma atitude ser debatida do perigo que a sociedade pode passar, na ficção serve apenas de aprendizado/reflexão, esperar acontecer é um perigo sem volta. Afinal, estamos no mesmo país, precisamos ver o que é melhor para todos nós.

Em relação ao Brasil, o ano é 2018, época de eleição para Deputados Federais, Estaduais, Senadores e Governadores, e o principal de todos, Presidente. A eleição para presidência do Brasil é onde mais aflora as rivalidades brasileiras, não por questão de lados, como fora tão nítido em 2014, mas tem uma certa continuidade. Neste ano, vem atona quem fala aquilo que toda sociedade quer, ou menos corrupto, etc. O sujeito que diz tudo, não pensa na consequência ao próprio e na população, quando é questionado ou informado, os a favoráveis alerta quem questiona, estar interpretar errado, foi alvo de Fake News... No final das contas, a rivalidade vem atona. É essa espiritualidade da politica brasileira, devido as falas de consequências do candidato. Ele têm nome, Jair Messias Bolsonaro.

Geralmente, todos eles focam nas suas posições ideológicas mais controversas e em seus discursos de ódio, misoginia ou que fazem apologia ao crime.

É o caso da homenagem que ele prestou ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador que chefiava o aparelho de repressão da ditadura, o DOI-Codi, nos anos de chumbo (entre 1970 e 1974). Também são bons exemplos as suas declarações, em uma só entrevista, em defesa do fuzilamento de Fernando Henrique Cardoso, do fechamento do Congresso e de uma guerra civil que matasse trinta mil; da apologia ao estupro – pois se alguém não merece ser estuprada, fica implícito que outras o merecem, em sua visão; de que não teria filho gay, pois eles tiveram “boa educação” e que “ter filho gay é falta de porrada”; e até de suas falas de cunho racista. Provavelmente, Voldemort e Buzz Windrip seriam seu amigos.

Conforme Bolsonaro cresce em termos de popularidade, mais o seu nome fica em destaque. E, assim, acabam chegando as acusações de desvio ético contra ele, que atua há 26 anos como deputado federal.

Nem digo que ele seja necessariamente corrupto; apenas que ele faz exatamente o que os outros, que ele acusa de serem corruptos, fazem.

Por exemplo, receber dinheiro da JBS, a gigante do ramo das carnes liderada por Joesley Batista, em 2014. Ele recebeu 200 mil reais. No entanto na tentativa de esconder que teria recebido recursos da empresa, apoiada pelo BNDES em programas que sempre criticou, Bolsonaro repassou o valor ao seu partido na época, o Partido Progressista (PP). Só para que, de imediato, o PP lhe passasse a mesma quantia de 200 mil reais. Ou seja: a sua campanha foi sim financiada pela corporação de Joesley.

Além disso, Bolsonaro atua no limite da ética e de forma pouco meritocrática: ele e seus filhos empregaram, nos últimos 20 anos, uma ex-mulher do parlamentar e parentes dela também. Não só isso: a sua atual esposa também recebeu emprego sustentado por dinheiro público, antes da prática se tornar ilegal através de uma súmula do Supremo em 2008.

O próprio tema das viagens que Bolsonaro fez como deputado pedindo reembolso dos cofres públicos pode entrar neste ponto. Mesmo com as regras de uso da Câmara dizendo, acerca das despesas parlamentares, que “não serão permitidos gastos de caráter eleitoral”, são muitas as viagens de Bolsonaro pelo Brasil com este fim que o contribuinte teve de pagar. Para não mencionar os mesmos períodos mensais de antes, falemos do início do ano: foram 22 mil reais em viagens aéreas nos primeiros cinco meses do ano.

A Folha de São Paulo deu indícios de outros possíveis desvios éticos do agora filiadoao PSL para concorrer à presidência, publicados no dia 7 e 8 de janeiro. O deputado e seus três filhos que exercem mandato, como mostra a reportagem possuem 13 imóveis diferentes com preço de mercado de pelo menos R$ 15 milhões — a grande maioria em pontos altamente valorizados do Rio de Janeiro, como Copacabana, Barra da Tijuca e Urca.

Além disso, dentre os bens de Bolsonaro — como consta na Justiça Eleitoral — incluem ainda carros que vão de R$ 45 mil a R$ 105 mil, um jet-ski e aplicações financeiras, em um total de R$ 1,7 milhão. Isso não seria um problema normalmente. Contudo, quando ingressou na política, em 1988, o hoje presidenciável declarava ter apenas um Fiat Panorama, uma moto e dois lotes de pequeno valor em Resende — valendo pouco mais de 10 mil em dinheiro atual. Desde então, a única profissão do capitão reformado é de político — já são sete mandatos como deputado federal.

Os três filhos de Jair — Carlos, Eduardo e Flávio — também apresentaram um crescimento de patrimônio acelerado. Sendo que todos eles se dedicam exclusivamente à atividade política. A única exceção é Flávio, que recentemente tem uma sociedade em uma loja de chocolates. A evolução patrimonial se deu principalmente nos últimos dez anos: até 2008, a família declarava à Justiça Eleitoral bens em torno de R$ 1 milhão, o que incluía apenas 3 dos atuais 13 imóveis.

Dois desses imóveis, que pertencem a Jair, ficam na avenida Lúcio Costa, em frente à praia da Barra da Tijuca. Segundo documentos oficiais, ele adquiriu uma por R$ 400 mil em 2009 e outra por R$ 500 mil em 2012. Hoje, o preço de ambos os imóveis juntos, de acordo com a Folha, é de 5 milhões de reais. Ou seja, é como se os apartamentos tivessem valorizado pelo menos 450%. O jornal de São Paulo consultou a Secovi-RJ (sindicato das empresas do ramo imobiliário) que embora aponte para uma valorização no local, considera uma alta de 63% de 2011 até agora. Muito aquém dos 450%. Isso é um forte indício de que as residências possam ter servido para a lavagem de dinheiro.

Já Flávio “entrou na política com um Gol 1.0, em 2002. Quinze anos depois, tem dois apartamentos e uma sala que, segundo a prefeitura, valem R$ 4 milhões. Ele realizou operações envolvendo 19 imóveis na zona sul do Rio de Janeiro e Barra”, relata a Folha em outra matéria. A maior parte são 12 salas de um prédio comercial chamado Barra Prime. No entanto, de maneira estranha, todas foram vendidas para a MCA participações, empresa que tem entre os sócios uma firma do Panamá, país conhecido por ter corporações que facilitam a criação de offshores, por exemplo — como a Mossack Fonseca mostrou. A MCA Participações adquiriu as salas de Flávio em novembro de 2010, apenas 45 dias depois de o deputado ter comprado 7 das 12 salas.

Ainda há outras operações esquisitas, como a compra de dois imóveis na mesma data — ambos vendidos com prejuízo para os antigos proprietários — para pouco depois os vender e lucrar mais de 800 mil reais, com valorização muito longe da realidade do mercado de 260% em um ano.

Para completar, uma nova reportagem, também da Folha, mostra que tanto Jair Bolsonaro quanto o seu filho, Eduardo — que também é deputado federal — recebem o valor referente ao auxílio-moradia mesmo sem utilizarem o apartamento funcional que a Câmara cede aos seus parlamentares. Já se foi feito muito escândalo com casos similares: seis meses depois que Marta Suplicy assumiu mandato em Brasília — à época ainda casada com Eduardo Suplicy — foi revelado que ela recebia o dinheiro do auxílio mesmo morando com o marido em seu apartamento funcional. Diante da histeria, ela pedir para parar de receber o dinheiro.

Caso esteja mudando de opinião, não é seguro ter alguém sem posicionamento ideológico definido se candidatando a presidente. Afinal, quem garante que ele não vai adotar outro discurso assim que empossado, deixando de lado o que prometeu aos seus eleitores, por ter ouvido outras pessoas? Ou que não se tornaria uma mera marionete de seus conselheiros, que poderiam o convencer a adotar qualquer tipo de posicionamento que eles desejassem?

Outra problemática é o escolhido vice-presidente na chapa de Jair. A parceria poderia ser chamada “Porque é da minha natureza”. Com a parábola sapo e do escorpião, e trecho da matéria escrita por Mário Magalhães ao site The Intercept Brasil, 12 de Setembro de 2018:

A narrativa tem variações nos acabamentos, mas a alvenaria é a mesma. Um escorpião pede para atravessar um lago nas costas de um sapo. O sapo se recusa a dar corona por recear uma picada assassina. O escorpião alega não saber nadar; não envenenaria o anfíbio, porque afundaria junto com ele. O sapo coaxa: “Então, tá”. No meio da travessia, o escorpião o atraiçoa. Agonizando, o sapo pergunta sobre o motivo do gesto suicida. O escorpião esclarece, antes de se afogar: “Porque é da minha natureza”.

O general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, disse em entrevista à Globonews, com a naturalidade de quem avisa não querer cebola na pizza de calabresa, o candidato a vice tratou como razoável o que ele reconheceu como “autogolpe” de um governante. “O presidente da República pode decidir empregar as Forças Armadas”; “é um autogolpe, você pode dizer isso”. “É uma hipótese”, adoçou, e não receita salgada para consumo imediato.

Com seus devaneios sobre “intervenção militar” e “autogolpe”, o general Mourão têm composto com seu camarada Villas Bôas um jogral intimidador. Viúvas da ditadura se excitam e sonham com o futuro repetindo o passado.

Portanto, seja você Potterhead, Negro(a), Homem, Mulher, LGBTQ+, Hetero(a), o que seja, for votar em Bolsonaro, lembre-se dessas ficções e poucas informações. Na ficção, as coisas podem mudar para melhor, mas na realidade, não. Boa sorte! É preciso lembrar do coletivo e uma importância de mudança sem jangões velhos.

Discordo de todos os posicionamentos ideológicos de Bolsonaro, e vejo como totalmente absurdo ele defender a ditadura, a tortura e o fato de ele enunciar palavras de cunho racista e homofóbico. #EleNão #EleNunca. Aqueles que concordam, não anulem os votos ao 2 turno contra ele, independente de quem seja contra. A urna será nossa vitória.

I.A.D é as inciais do nome e sobrenome do autor desse editorial de opinião. A pedido do próprio, prefere ter anonimato, por enquanto. Mora junto com os pais, nasceu em 1997, João Pessoa - PB. É Potterhead desde 2006, conheceu o universo ao assistir “Harry Potter e a Câmera Secreta (2002)”.

(Sua participação ao site House Hogwarts pode ser aleatória, e sem previsão de retorno).

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